Quantos dados criamos?

Analisamos o crescimento vertiginoso dos volumes de dados globais, explorando o que significa realmente gerar 2,5 quintilhões de bytes por dia. Um aprofundamento sobre infraestruturas, custos ocultos e a gestão crítica da informação na era da hiperprodução digital.

Jan 9, 2026 - 22:14
Jan 14, 2026 - 15:44
 0
Quantos dados criamos?
Infraestrutura real dos dados digitais, onde armazenamento, calor e energia revelam o peso físico da informação.

Quando observamos os monitores dos nossos centros de controle na GoBooksy, não vemos simplesmente números correndo, mas um fluxo ininterrupto de atividade humana e mecânica que se traduz em peso digital. A cifra frequentemente citada de 2,5 quintilhões de bytes gerados a cada dia é difícil de visualizar para a mente humana, mas para nós que gerimos infraestruturas, este número tem uma consistência física muito precisa. Significa calor dissipado pelos servidores, demanda energética crescente e a necessidade contínua de expandir espaços de armazenamento que se enchem a uma velocidade sem precedentes na história da tecnologia.

O dado mais chocante não é tanto o volume atual, mas a rapidez com que chegamos aqui. Saber que 90% de todos os dados existentes no mundo hoje foram criados apenas nos últimos dois anos nos obriga a rever completamente nossa abordagem no design de sistemas. Não estamos assistindo a um crescimento linear, mas a uma explosão exponencial que torna obsoletos os velhos paradigmas de conservação. Em nossos projetos diários notamos como o planejamento de armazenamento, que antes era feito em base anual, agora requer uma flexibilidade quase mensal para não arriscar o colapso dos recursos disponíveis.

Muitas vezes comete-se o erro de pensar que essa mole de dados provém exclusivamente das ações conscientes dos usuários, como o envio de e-mails, o carregamento de vídeos em 4K ou as interações nas redes sociais. A realidade operacional que enfrentamos na GoBooksy nos conta uma história diferente. Uma porção enorme desses quintilhões de bytes é gerada pelas máquinas que falam com outras máquinas. Os sensores IoT industriais, os logs de sistema que registram cada microevento em um servidor, os backups automatizados e os metadados escondidos por trás de cada arquivo constituem um "ruído de fundo" ensurdecedor e volumoso. Esse tráfego invisível é essencial para o funcionamento da rede moderna, mas ocupa espaço real em discos reais, impondo desafios enormes em termos de indexação e recuperação das informações.

A consequência direta dessa hiperprodução é o fenômeno que observamos cada vez mais frequentemente nas empresas com as quais colaboramos: o acúmulo de "Dark Data". Trata-se de informações que são coletadas, processadas e arquivadas, mas que nunca mais serão utilizadas para fins estratégicos ou decisórios. Manter esses dados vivos tem um custo econômico e ambiental elevado. Vemos infraestruturas lentas por terabytes de arquivos duplicados ou obsoletos, que complicam as operações de backup e tornam os sistemas menos reativos. O desafio atual não é mais como armazenar tudo, mas entender o que tem valor e o que pode ser deixado ir.

O impacto dessa aceleração reflete-se também na segurança e na privacidade. Quanto mais dados são criados, mais ampla se torna a superfície de ataque e mais complexa a gestão da conformidade. Cada byte gerado traz consigo uma responsabilidade de tutela. Nos fluxos de trabalho que estruturamos na GoBooksy, a atenção deslocou-se da simples capacidade de acúmulo para a inteligência na gestão do ciclo de vida do dado. Não basta ter espaço infinito na nuvem; é necessária a capacidade de governar a informação, distinguindo o sinal útil do ruído de fundo que entope as autoestradas digitais.

Devemos começar a considerar a produção de dados não como um recurso infinito e gratuito, mas como uma matéria que tem um peso específico. A facilidade com que criamos conteúdos digitais nos desacostumou a refletir sobre seu impacto a longo prazo. Cada vez que um sistema automatizado salva uma versão de um arquivo ou um usuário sincroniza um dispositivo, ativa-se uma cadeia de processos físicos e energéticos complexos. Compreender a escala real desses 2,5 quintilhões de bytes diários é o primeiro passo para passar de uma cultura de acúmulo indiscriminado para uma estratégia de eficiência digital, onde a qualidade da informação prevaleça finalmente sobre sua desmedida quantidade.